Então, hoje no auge do meu pouco afeto, te digo: nunca vou te esquecer. Até porque não tenho problema de memória.

-Frederico Elboni 

 

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Por onde andam as pessoas interessantes?

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Depois que terminei meu namoro, senti que as coisas deram a devida reviravolta que eu tanto proclamava. De 4 a 6 semanas foi o suficiente pra poeira baixar e chegar ao limbo. O limbo é aquele lugar calmo, não muito raro, que todo mundo tem dentro de si. Um sótão que não é escuro, não abriga histórias de terror, não tem nada a ver com os filmes. Passei um bom tempo lá e confesso que tava até feliz por não ter que me distrair com ninguém a não ser eu. Depois de todo fim a gente precisa de um tempo pra cuidar da gente, botar a cabeça no lugar, sair por aí pegando uma infinidade de gente – papo chato de autoafirmação, aposto que você me entende. E depois de tudo isso, a gente para lá no limbo pra tomar uma cerveja.

De uns meses pra cá eu senti nada. Sentia nada, nadinha. Nem por uma, nem por dez das que jantaram comigo – e não é exagero, foram dez mesmo. Mexicano, japonês, italiano, comida no parque, jantar na casa dela, McDonald’s no shopping, rodízio de pizza, crepe na Voluntários, cachorro-quente num aniversário, sobremesa aqui em casa. A cada pessoa nascia aquele interesse curioso que era rapidamente sucedido pela preguiça de se dispor, de ter que contar toda a minha história, de ter que voltar pro grande jogo das conquistas.

Não me entenda mal. Eu sempre gostei de conhecer gente. Sempre gostei de ter um coração meio vagabundo que se encantava fácil, que era só achar quem tratasse bem ou batesse um pouco que ficava grudado no celular esperando resposta. E agora nada. Nadica. A maior demonstração disso foi quando superei o medo irrefreável de tirar o last seen do Whatsapp. Não tenho esperado mais resposta de ninguém e tenho tido pavor de responder alguém que não sejam os meus amigos. Ontem, por exemplo, eu peguei um ônibus lotado e um senhorzinho puxou assunto. Contou da vida, perguntou da minha. Monossilábica, meu senhor, é assim que ela anda. Nem escondi a intolerância e tratei logo de botar dois fones no ouvido pra me esconder do desconhecido. Reparei que a gente sempre faz isso na vida. A gente sempre abafa o que tenta incomodar a apatia com algum som familiar, com alguma memória preenchida ou com a desculpa de que a gente tá sempre ocupado e não pode prestar atenção. Eu, assim como um monte de gente, não quero sair da inércia, não quero sair daquele limbo sentimental a menos que alguém me puxe.

E isso me leva à outra questão: por onde andam essas pessoas que costumavam puxar a gente? Já falei sobretiming e sobre um monte de ingredientes pra equação, mas nem exijo amor, não. Uma história à toa, por menor que seja, só pra não lidar com o egoísmo da solidão. E nada de aparecer alguém que dê match na vida real como a gente dá no Tinder, ninguém que faça a gente ter vontade de continuar um papo tranquilo sem cobrança, mas com vontade de continuar. Quando falo em gente interessante, me refiro única e exclusivamente a quem se conecte com a gente de verdade, para além do mundo virtual e dos telefones da vida. Outro dia perguntei pra um amigo se ele sentia que as pessoas interessantes tinham sumido e ele disse que sim. Mais uma corja de amigos recém-separados e na mesma faixa de idade responderam o mesmo. E isso me faz pensar se a gente é que ficou desinteressante ou se o limbo emocional – nossa casa constante com o passar dos anos e dos relacionamentos – acabou tornando a gente mais exigente e maduro. Ou se realmente anda difícil encontrar conexão emocional numa época em que os aplicativos de pegação, a variedade de opções e a falta de tempo costumam transformar em instantâneos os relacionamentos que já estavam se tornando efêmeros.

Daqui do limbo as coisas vão de mal a monótonas. Cada novo encontro mostra que a barra de compatibilidade do last.fm tá quebrada. E eu já não sei mais se é a gente que deixou a coisa da conexão emocional se apagar por conta do momento, da apatia, da vontade interna de manter as coisas caladas ou se o mundo não tem proporcionado bons encontros com gente interessante – que deve andar escondida. Ou nós mesmos nos tornamos desinteressantes pela apatia. A única coisa que sei mesmo é que o Arnaldo Antunes nunca fez tanto sentido como hoje. Enquanto eu escrevia esse texto, um trecho dele martelava na minha cabeça, no meu limbo, na minha falta de interesse: “Socorro, alguém me dê um coração, que esse já não bate, nem apanha”.

Daniel Bovolento

Via http://entretodasascoisas.com.br

Anormalidade.

São exatas 3:42 da manha e eu estou aqui, sem saber o que fazer, com os olhos vidrados no único ponto azul que ilumina meu quarto e minha mente. Aparentemente esta tudo bem, fluindo normalmente, porem se trata de uma aparência e não de um real acontecimento.. Realmente, os astros não estão ao meu favor nos últimos tempos, essa bagunça que virou tudo não tem explicação, parece que chacoalharam minha vida e “TIBUM” tudo saiu do lugar, sem contar que as pessoas estão conseguindo me confundir constantemente, não sei mais quando estão falando a verdade ou estão mentindo, muito menos consigo entende-las como antigamente. Minha mãe vive dizendo que preciso arrumar um namorado ou ocupar minha cabeça vazia com algo interessante, mal ela sabe que minha cabeça não é vazia e que namoro um rapaz bem mais velho, dos olhos claros.. Tem dias que fico pensando na vida e sinceramente não consigo entender, a gente mal nasce e já começa a morrer.Tô achando que tudo isso é reflexo da bateria nova que colocaram no relógio, avisei que ele estava funcionando normalmente, porem insistiram em troca-la, o tempo passou tão rapidamente que já estamos em setembro quando minha vontade era estar em janeiro, curtindo o sol no litoral. Ouvir dizer que cortar o cabelo resolve algumas coisas, então vou cortar para ver se tudo volta ao normal.

Naiara Caroline

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“E hoje percebi que as pessoas são como livros, alguns cheios de magia e encanto, outros vazios. Uns te enganam pela capa, enquanto outros surpreendem pelo conteúdo; Você encontra certas pessoas e em tão pouco tempo de convivência é como ler uma sinopse, e depois não ver a hora de compreendê-lo por inteiro. Cada um com sua devida importância. Por outro lado, alguns livros deixamos pela metade, enquanto outros devoramos intensamente. Se é romântico, dramático, triste, misterioso, infantil, complexo…No fim o que vale é uma boa história.”
Pedro Bial.

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“Finais são deprimentes. Já imaginou? Você nasce, vive ou existe durante certo tempo e acaba morrendo. Fim. Você conhece uma pessoa pela internet, começa a conversar com essa pessoa, surge amizade, e com o tempo vão surgindo novas pessoas e essa amizade vai ficando para trás. Fim. Você começa stalkeando alguém da escola, puxa assunto, chama pra sair, abraça, beija, acaricia, inicia um romance e depois de cinco meses acabam tendo uma discussão. Fim. Você entra no ensino médio, convive por três anos com 43 pessoas e depois, em uma festa de formatura, os choros selam a tão indesejada despedida. Fim. Você começa a cursar uma faculdade e depois de cinco anos, vê um diploma e se pergunta: Estou pronto? Vê que sim e deixa mais uma etapa de lado. Fim. Você arranja um emprego na Construtora X e depois de um tempo recebe promoção e tem que deixar a cidade para assumir uma grande obra em outro estado e assim, tem que deixar coisas de lado. Fim. Em meio a viagens, você conhece o amor da sua vida e se vê lotado de sentimentos, engatam um namoro, noivam, casam, tem dois filhos e se separam. Fim. Ou quem sabe, decide conviver os anos que restam com essa pessoa. Fim. Você percebe que a família que tinha no início: pai, mãe, irmão e derivados, todos partiram. Restou apenas tu e o início de outro fim. E são em meio a estes pensamentos que vemos que a cada dia sofremos despedidas. Que a cada dia temos que dar adeus, seja ao professor que foi embora para conseguir um emprego melhor, ou seja ao colega que não aguentou a rotina e teve que sair da escola. Seja àquela namorada de infância que teve que ir pra cidade grande enquanto você continuava a jogar bola no quintal dos avós. Ou para aquela ficante do ensino fundamental, que só pensava em algodão doce. Tem também a namoradinha do ensino médio, com quem você teve a primeira vez. E os amigos? São as despedidas mais dolorosas. Dar adeus a quem você jurou um para sempre, ou a quem você prometeu nunca abandonar, nunca é fácil. Porém, todo final anuncia um novo começo e assim a vida segue um ciclo, onde só acaba com a morte. Fim. Espera, tem aqueles, que como eu, acredita em vida após a vida. E sendo assim, torna-se parte de um período de continuidade. Torna-se infinito em um mundo repleto de finais.”